domingo, 11 de novembro de 2012

Cartas e correspondências: memórias e projetos

Com a era digital receber e-mails, scraps, comentários e curtições tornou-se comum. Mas e as cartas? Aqueles envelopes tão esperados que nos enchiam de esperança, ansiedade e às vezes eram tão aguardados?

Quando chegava o carteiro era aquele alvoroço. Entre as correspondências mais comerciais, sempre vinham os envelopes tradicionais com letras já conhecidas. Em pouco tempo rasgávamos pela lateral ou pela parte superior e deliciávamos com notícias distantes, saudosas e muito especiais. E isso já nos inspirava à escrita, sentir a caneta no papel e deixar transparecer toda a saudade, desejos e vontades para o outro destino.

Lembro-me que quando pequena meu pai viajou e passou muitos dias fora de casa. Ousei lhe escrever com tanto amor e carinho e postei a carta com apenas um selo. Na verdade fora o primeiro que encontrei pela frente. Contei à mamãe toda empolgada, mas ela disse que o selo não fora suficiente, porque cada um tinha um valor e para mim bastava um único. A minha surpresa foi que a carta chegou e papai recebeu com muito amor e carinho as minhas palavras. Ele ficou tão emocionado que nos brindou com um telefonema, naquela época muito mais mais difícil quando se tratavam de lugares distantes. Foi a melhor sensação da infância.

Outros grandes amigos também trocavam palavras e impressões por cartas e muitas vezes eu esperava pelo carteiro e corria alegremente para checar se havia envelopes para mim. Nas épocas de Natal, a família enviava muitos cartões e passávamos horas colando selos e envelopes e quando pequenina meu pai dizia que todas aquelas cartas eram para o Papai Noel. E eu dormia sonhando com este espírito feliz e com a certeza que o bom velhinho jamais se esqueceria de mim. Fossem pelas atitudes e pela grande insistência! 

E você tem recordações seladas por cartas

Recordar é viver!

No próximo post, escreverei sobre ideias e um novo projeto!